quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Miley Cyrus


Eu olho essas coisas da Miley Cyrus, a Hannah Montana, e é tudo tão bizarramente escroto que eu quase acho que o que ela anda fazendo é interessante...

...eu me pergunto....

ela sabe o que ela está fazendo?! Ele é consciente do processo que ela está encabeçando?

Isto é, ela quer destruir o que a Hannah Montana foi, não só para ela, mas para toda a geração que cresceu vendo Hannah Montana (que pode ser pouca coisa qui no Brasil, mas deve ser muito nos estados unidos). Hannah Montana é como os Jhonnas Brothers... ou a nossa "Sandy". Imagina a Sandy fazendo isso que a Miley anda fazendo.

Ela quer destruir Hannah Montana - e está fazendo uma "bela" desconstrução da personagem.... mas ela tem consciência disso? Ela não aparece destruída pelas drogas como a gente via a Amy Winehouse... é um personagem isso que ela está fazendo. Será que é SÓ um personagem? Como a Hannah Montana? E será que ela tem essa consciência "fria" de que é só um personagem?

Se sim, essa menina bizarra tem todo o meu respeito.

 

PS: a Miley Cyrus não está tentando ser uma diva. A sexualidade dela é um pastiche da sexualidade de Sasha Grey. A Sasha representa a aceitação de um tipo de sexualidade feminina que não está nem na submissão nem no poder (que é a sexualidade das divas). Sasha Grey e Miley Cyrus são sexualizadas de um jeito "feio". Humberto Eco fala no História da Feiura que o ato sexual "real" é "feio", não estetizado como na pornografia. É essa sexualidade que Sasha e Miley trazem a tona: propositadamente "feia", em oposição inclusive as divas (virgens como Hannah Montana ou poderosas como Beyonce) 

terça-feira, 21 de maio de 2013

Ópera das Vaidades - primeira visita

Eu jogo/realizo larps (profissionalmente!) desde 2005. É uma longa carreira. rsMeu primeiro larp aberto ao público era baseado no RPG Trevas, depois, entrei para a Confraria das Ideias e mais tarde com meu próprio projeto Boi Voador.

Estudei design gráfico, artes plásticas e mais tarde fiz uma "especialização" em cenografia e figurino, com um dos maiores nomes do teatro brasileiro (J C Serroni). Sempre procurei usar essas minhas vivências para o larp.

Nunca tinha jogado um larp de vampire, nem estado presente em um. Na verdade, nunca me agradou a ideia. Mas quando vi o Ópera das Vaidades pela primeira vez, algo me chamou muito a tenção aí.

Estive presente pela primeira vez no live  do dia 16 de fevereiro fotografando e posso dizer que adorei a experiência. O ópera é uma coisa que não faço a muito tempo: um larp em formato campanha. Larps nesse formato permitem, sem sombra de dúvida, uma infinidade de experiências que um larp one-shot não permite.

O que mais me chamou a atenção positivamente, muito positivamente (já que fica difícil acompanhar os enredos estando "de fora" da ação) foi o esmero, cuidado, capricho dos figurinos. Caras... vocês arrasam.

Na volta, de carona com um dos narradores, ainda pude ver uma coisa da qual estou muito distante: o jogo de vocês é para além dos limites da ação ao vivo. A politicagem, intriga, expectativa continuam rolando. Os nórdicos (papas do live, rs) dividem a experiência de jogo em três níveis, entre os quais: in-game (que chamamos de on) e inner-game (o jogo que acontece dentro da cabeça dos jogadores, fora do "palco" do larp, mas no caso do Ópera, ainda dentro de seu universo). O inner-game do Ópera é incrível!

Queria agradecê-los pela acolhida!E parabenizá-los!

Espero poder vê-los mais vezes e estou amplamente a disposição dos organizadores para trocarmos ideias e experiências. Tenho certeza que temos muito a aprender uns com os outros.


(clique nas imagens para ampliar)











(clique nas imagens para ampliar)


PRÓS (do que gostei):
- O formato campanha permite pensar em ações que terão consequência ao longo do tempo. Em alguns casos isso gera também representações mais naturais, menos "ansiosas". A relação com o tempo e a causalidade pode ser prolongada.

- Cuidado e esmero com os figurinos.

- Sem egos exaltados : organizadores e jogadores não parecem se dedicar a luta de egos (uma bobagem comum em alguns larps de campanha) todos estão lá para fazer as cosias funcionarem para todos.

CONTRAS (do que desgostei)
- Muitos jogadores ficam "em OFF" (fora dos personagens) por muito tempo, ou muitas vezes - interrompendo cenas interessantes e quebrando o clima.

- Grande parte das ações durante o jogo não são representadas fisicamente, mas narradas pelos jogadores, fora do personagem. O sistema (Mind's Eye Theatre) incentiva esse tipo de ação. Por exemplo "eu estou desembainhando um sabre" - quando ninguém sabia que ele tinha um sabre e quando não há sabre nenhum. Isso prejudica o clima de imersão que as interpretações e os figurinos ajudam a construir e quebra algumas linhas narrativas (oras, se eu soubesse que ele tinha um sabre, não o teria ameaçado).

- Neste larp específico (o Ópera das Vaidades usa lugares diferentes para os larps) o larp foi numa loja de livros e cards. A organização adaptou o espaço com alguma ambientação - principalmente iluminação -, mas é um espaço muito difícil de lidar. Muitas das cenas mais fortes tiveram que dividir espaço com banners do lanterna verde ou pinturas da mulher maravilha.... e isso distancia algumas potências desse tipo de larp, mesmo que os jogadores não se atenham a esses detalhes.

- Os larps são intercalados com mesas de RPG para desenvolver a história dos personagens. Isso faz com que muitos conflitos que surgem no larp sejam deixados para depois, para resolver na mesa, perdendo muitas oportunidades de aprofundar a experiência durante os jogos.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

O Tibete

No banho com minha filha ontem, quero que ela olhe para cima pra enxaguar o pescoço.

 - filha olha lá em cima, o que tem lá em cima.

 (ela olha) - o tibet (um enorme sorriso na face)

 (!)


domingo, 28 de abril de 2013

Larp no Brasil e no Mundo: o que é larp (de verdade) e o que se faz com ele?

A seguinte apresentação foi realizada no Laboratório de Jogos 2013 (LabJogos 2013), em Belo Horizonte, no dia 28 de abril de 2013 (data onde a postagem se encontra nesse blog, para preservar a temporalidade). Este conteúdo, no entanto, foi postado neste blog no dia 19 de maio de 2017.

O registro audiovisual foi realizado, mas até hoje encontra-se perdido. Em vista disso, reuni as anotações (sinopse) e slides da palestra. Não dá conta. Mas pode ajudar outras pessoas a terem contato com parte das referências, discussões e vozes levantadas para a apresentação.

Larp no Brasil e no Mundo: o que é larp (de verdade) e o que se faz com ele?
 // 45-60 minutos



O que é larp (mesmo)?

Definições, abrangência, variações.
Quais as diferenças e aproximações entre larp e rpg de mesa?
Comno o larp é praticado mundo a fora? Quais as possibilidades, tipos de expressões, principais grupos?

O painel apresentará grande parte do resultado de pesquisa do NpLarp desde 2011 - parte do que pode ser encontrado no Guia de Larp e muita coisa inédita.


// Luiz Falcão é designer gráfico e artista visual de formação. Trabalha desde 2007 com criação de jogos (LARPs) para a ONG confraria das Ideias e desde 2011 para o grupo Boi Voador. Coordena em São Paulo o Núcleo de Pesquisa em Live Action Roleplaying, é autor do livro ”LIVE! Guia Prático para Larp” e atua também como Instrutor de Internet/Multimídia no Sesc São Paulo.


Links complementares:

- Programação LabJogos 2013

RPG é Arte? Criadores de jogos são artistas?

A seguinte apresentação foi realizada no Laboratório de Jogos 2013 (LabJogos 2013), em Belo Horizonte, no dia 28 de abril de 2013 (data onde a postagem se encontra nesse blog, para preservar a temporalidade). Este conteúdo, no entanto, foi postado neste blog no dia 19 de maio de 2017.

O registro audiovisual foi realizado, mas até hoje encontra-se perdido. Em vista disso, reuni as anotações (sinopse) e slides da palestra. Não dá conta. Mas pode ajudar outras pessoas a terem contato com parte das referências, discussões e vozes levantadas para a apresentação.



RPG e ARTE // 45-60 minutos
 

Ok... vamos aprofundar essa discussão sobre RPG e Arte. A fala/painel busca trazer esclarecimento e estofo às discussões constantes, polêmicas e recorrentes sobre a relação entre RPG e Arte.

Partindo de duas concepções centrais: a arte como técnica ou como atividade cultural (pintura, literatura, teatro, escultura, cinema); e a arte como "vanguarda" da concepção do crítico e curador Teixeira Coelho, arte como aquilo que "avança sobre a cultura", abre ou amplia paradigmas... o conceito ligado a "Arte Internacional" e à arte contemporânea.

A partir daí, a discussão da possibilidade de encarar o RPG (e quais RPGs) como arte dentro de um desses paradigmas ou dentro de ambos. Desmitificação das idéias de que arte tem necessariamente a ver com domínio técnico, maestria, mímese, estética (que é um campo da filosofia!), autoridade institucional, elitização.

Debate do entendimento do RPG como jogo e TAMBÉM como arte levando em conta as teorias de Johan Huizinga e as mais contemporâneas teorias internacionais sobre roleplaying e sobre arte participativa.

Análise de casos entre o RPG e a performance, a literatura, o teatro e outras mídias (exemplos como "O Jogo da Amarelinha" de Julio Cortázar, "O livro dos seres imaginários" de J. L. Borges, o vídeo "From Performance Arts to Larp" de Johanna MacDonald, os Happenings de Alan Kaprow, as performances, teatro performativo e participativo e a produção de vanguarda nos países Nórdicos).

A mesa trará ainda exemplos onde o RPG supera, declaradamente, certas peças de arte e as relações que estabelece com a arte contemporânea.

... e claro, esclarecer o que ganhamos entendendo o RPG como arte (e o que perdemos dizendo que RPG não é arte e QUEM ganha ao dizermos que não é).


// Luiz Falcão é designer gráfico e artista visual de formação. Trabalha desde 2007 com criação de jogos (LARPs) para a ONG confraria das Ideias e desde 2011 para o grupo Boi Voador. Coordena em São Paulo o Núcleo de Pesquisa em Live Action Roleplaying, é autor do livro ”LIVE! Guia Prático para Larp” e atua também como Instrutor de Internet/Multimídia no Sesc São Paulo.


Links complementares:

- Programação LabJogos 2013

sábado, 27 de abril de 2013

LabTalks 2013 - Laboratório de Jogos

A seguinte apresentação foi realizada no Laboratório de Jogos 2013 (LabJogos 2013), em Belo Horizonte, no dia 27 de abril de 2013 (data onde a postagem se encontra nesse blog, para preservar a temporalidade). Este conteúdo, no entanto, foi postado neste blog no dia 19 de maio de 2017.

O registro audiovisual foi realizado, mas até hoje encontra-se perdido. Em vista disso, reuni as anotações (sinopse) e slides da palestra. Não dá conta. Mas pode ajudar outras pessoas a terem contato com parte das referências, discussões e vozes levantadas para a apresentação.



LabTalks /// formato ted talk




Videgames de terror/horror e o que isso tem a ver com nossos indie games /// formato ted talk

A franquia Resendent Evil não é mais a mesma. Convertida em uma série de jogos de ação, as vendas despencaram e os criadores ainda se perguntam "por quê?". Aliens Colonial Marines e Dead Space se propõe a serem jogos de terror, mas são respectivamente simples jogos de tiro em 1a e em 3a pessoa.

O painel se dispõe da debater a partir desses jogos - e dos games Clive Barker's Jericoh e Clock Tayer (sness) - a relação entre game design e experiência de jogo e analisar os jogos blockbuster baseados em engines prontos e o potencial de games independentes.

O que jogador procura em um jogo de terror e em outros jogos? O que a indústria está oferecendo e como os criadores independentes tem se relacionado com nessa equação. E, claro, o que nós, criadorers independentes (ou não) de jogos narrativos temos a ver com isso?

(( essa fala tem a ver com as perguntas: o que um jogador espera de um indie game? vale a pena tentar desenvolver o "próximo D&D" na minha casa? vale a pena mais um retroclone de d&d? - e porque os retroclones deram certo? - você vai conseguir fazer um jogo com gráficos /um rpg com ilustrações/ como Crisis ou Bioshok /ou com tanto suporte e ilustrações como D&D ou linha Wod/ ))


Heavy Rain, Walking Dead e Jurassick Park: Finalmente temos jogos de videogame narrativistas? /// formato ted talk

Ou porque os desenvolvedores da Quantic Dream e da Telltale Games tem que ler “o sistema importa”.

Análise do efeito que esses jogos (e farenheit/indigo prophecy) tiveram na cultura dos games, na ideia de que o game pode ser uma arte narrativa robusta e dos sistemas empregados nesses jogos.

O que temos a aprender com esses ”cases” – e o que esses gigantes premiados poderiam aprender com a gente?

Apresentando o Knutepunkt: Teoria do RPG não é só gamedesign // Ted talk

O painel visa apresentar o Knutepunkt, conferência anual sobre LARP e jogos narrativos que acontece todos os anos nos países nórdicos e que reúne representantes do mundo tudo (inclusive do Brasil).

Apresentará o formato do evento (conferência, larps, nordic larp talks, "a week in..."), livros publicados, parte da teoria desenvolvida ao redor do evento e também exemplificar tudo com alguns larps nórdicos (superproduções, larps de câmara, jeepforms, etc).


Playing at Reality: LARP território de criação experimental (laboratório) para jogos e como linguagem autônoma /// formato ted talk (não apresentado)

LARP é um jogo e uma forma de arte participativa. É uma linguagem autônoma, com suas próprias características, mas pode ser também um território de investigação e pesquisa para criadores de jogos – narrativos ou não.

O painel fala sobre a crtiação de um larp, tipos de larp e mecânicas e compara a criação de um larp com a de outros jogos no sentido de exemplificar sua viabilidade e potencial de playtest.

Nada mais é do que um ensaio, uma tentativa de compreender o larp como também uma ferramenta processual dentro de processos maiores de criação.



// Luiz Falcão é designer gráfico e artista visual de formação. Trabalha desde 2007 com criação de jogos (LARPs) para a ONG confraria das Ideias e desde 2011 para o grupo Boi Voador. Coordena em São Paulo o Núcleo de Pesquisa em Live Action Roleplaying, é autor do livro ”LIVE! Guia Prático para Larp” e atua também como Instrutor de Internet/Multimídia no Sesc São Paulo.


Links complementares:


- Programação LabJogos 2013

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

O Jogo Imita a Vida, sementes e descobertas

postado originalmente no facebook em 18 de fevereiro de 2013

Me perguntaram pouco antes da palestra com o Wagner como eu tinha conhecido o larp nórdico... E então eu me lembrei do texto do Clayton Mamedes, que eu li na RedeRPG, onde encontrei o termo arthaus larp. Uma busca por esse termo me levou até o Manifesto Dogma 99 do Eirik Fatland e do Lars Wingard. E foi depois da leitura desse manifesto que eu fiz o primeiro rascunho para A Clínica.

Hoje o texto de Mamedes pode ser encontrado aqui no site do NpLarp, com o título O Jogo Imita a Vida.

Então, enquanto eu lava a louça eu pensei: Caraca... se não fosse o Clayton, não teria Guia de Larp!

E agora eu fico aqui pensando... como será que foi que ele ficou sabendo...?

Clayton Mamedes respondeu
Cara, boa pergunta!! Meu primeiro contato com LARP foi com a linha WoD, no lançamento do Mind's Eye Theatre. Jogamos mto nesta época, até que migramos para Cthulhu Live. Creio que as referências deste último me levaram a pesquisar mais a fundo.
Fico agradecido pelo meu texto ter influenciando tanta coisa bacana.