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terça-feira, 31 de outubro de 2023

Catábase no CCJ

Na madrugada do dia 21 para o dia 22 de outubro rolou o playtest / abertura de processo do larp Catábase - a história de uma liderança religiosa que conduz uma pequena comunidade com o auxílio de entidades que ele visita durante a noite.


Neste larp, um único jogador faz o mesmo personagem o tempo todo. Os demais se revezam em dois papéis, muito diferentes um do outro.

Eu não me lembro de alguma vez já ter feito uma experiência parecida com essa: a partir de um esboço da estrutura de um larp, reunir participantes para juntos levantarmos cenário, iluminação e combinarmos juntos detalhes da experiência enquanto ela transcorre.

Mais de dez anos atrás, quando participei da fundação do Boi Voador, o objetivo era o oposto: entregar o mais bem acabada possível uma experiência imersiva e participativa a um grupo de jogadores.

A experiência que rolou na madrugada do 13° Encontro de RPG do CCJ - Centro Cultural da Juventude foi, para mim, muitíssimo rica. Tivemos ao todo 13 jogadores e encerramos as atividades apenas às 6h da manhã. Sinal que o jogo rendeu.

Coletei feedbacks muito bacanas (que devo dividir com o público em breve) e pretendo registrar em texto como foi a experiência.

E estou animado para fazer mais vezes. 🙂

Agradeço à Confraria das Ideias pelo convite ❤ e a todas as pessoas que participaram da experiência.
Muito obrigado.


#larp #larpbrasil #catábase #katabasis

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Máscara, tipo e corpo


No NpLARP + Boi Voador (programa VAI 2011)

"LARP ( live action roleplaying ) é uma linguagem artística participativa que vem sendo desenvolvida nos últimos 15 anos.

Em um LARP, os participantes interagem interpretando papéis, em um universo ficcional. Ao contrário do teatro, não existe platéia, cada participante é ao mesmo tempo autor e receptor - criam e recebem ao mesmo tempo história, que se desenrola a partir de suas ações e pode tomar os rumos mais inesperados. De modo geral, não existe qualquer tipo de roteiro ou script. Para participar de um larp não é preciso ter formação de ator de nenhuma espécie - você não representa para uma platéia, os paradigmas são outros. Qualquer pessoa pode participar de um larp.

Em 2011, fomentado pelo programa VAI da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, o grupo BOI VOADOR começa o Núcleo de Pesquisa em Live Action Roleplay que além de 6 LARPs experimentais, realizará 4 workshops/encontros com áreas de conhecimento artístico que tem muito a contribuir para o desenvolvimento desta linguagem.

Máscara, tipo e corpo: do ritual ao larp foi o primeiro deles e promoveu o encontro do Teatro de Máscaras com o LARP. Um espaço para discutir as peculiaridades e características de ambas as linguagens a partir de experimentações e improvisações, usando meias-máscaras e máscaras expressivas. A ocasião foi um laboratório para experimentar o encontro dessas linguagens e foi dividido em exposição teórica, exercícios de máscara com os participantes, improvisações com máscara e larp e um debate final.

O ator e pesquisador do Teatro de Máscaras, Lion Santiago, conduziu os exercícios e orientações sobre máscara a fim de despertar a sensibilidade e disponibilidade dos participantes em relação à máscara e ao jogo.

Luiz Falcão, criador de larp e integrante dos grupos de LARP Boi Voador e Confraria das Ideias conduziruos debates e jogos sobre larp, discutindo as diferenças e peculiaridades da linguagem.

Junto aos demais participantes, ambos conduziram a busca pelas intersecções e contribuições que uma linguagem pode trazer à outra.

O Evento, fomentado pelo programa VAI da Secretaria de Cultura do Municipio de São Paulo foi realizado na Oficina Cultural Amácio Mazzaropi (no Brás), no dia 21 de julho de 2011.

Para saber mais sobre este e outros eventos do Boi Voador e do NpLARP, acesse:

http://boivoador-larp.blogspot.com

http://nplarp.blogspot.com"

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Máscaras

No final de 2006 eu tinha acabado de concluir um curso de Live-Action com a Confraria das Idéias. Eu já realizava live-actions pelo menos desde 2005, quando eu e um grande amigo começamos a realizar um live aberto, com cerca de 30 participantes, baseado no Universo descrito nos livros-jogos da Editora Daemon (mais especificamente o livro Trevas e seus correlatos).

Live-Action, para quem não sabe, é uma modalidade de RPG (Role Plaiyng Game) que mistura jogo com teatro. Cada participante representa um personagem, mas não há roteiro estabelecido e conhecido por todos. Cabe aos organizadores colocar motivações para o desenvolvimento do enredo, muitas vezes no histórico desses personagens ou usando um tipo de personagem especial: um jogador devidamente orientado ou um personagem interpretado por alguém da organização.

Naquele ano, eu procurei o curso da Confraria (ou talvez ela tenha me procurado) porque depois de minha experiência com aquele live em 2005 (realizamos um por mês, durante uns 6 meses) eu estava empolgado e pronto para realizar lives mais interessantes, refinados e elaborados - e eu acreditava que o curso me daria uma bagagem boa e algum "networking" (ainda que na época eu falasse em "profissionalismo" e não em "networking").

Enfim, depois do curso concluído eu saí com muitas das idéias que eu já tinha e com algumas idéias novas. Nunca cheguei a realizar nenhuma (pelo menos, não até agora), mas trabalhei nelas por um tempo. E uma das frentes nas quais trabalhei me fez começar meu trabalho com máscaras.

Eu fui realizando, na surdina, na madrugada, em momentos crepusculares da vida (e uma vez inclusive em uma disciplina da faculdade) máscaras de papel machê.

Fiz isso durante anos, muito de vagar... e cada vez mais a possibilidade de usá-las para sua finalidade inicialmente pretendida foi ficando para trás, se perdendo.

Originalmente elas tinham uma finalidade teatral (aliás, o Teatro era a grande fonte da qual eu queria beber para melhorar o live-action, que na minha opinião, até hoje, está nocivamente relacionado a herança do rpg - e quando lembro disso, ainda alimento minha vontade de realizar live-actions). As máscaras comporiam personagens, catalizariam a imersão, potencializariam a interpretação... Depois, sob a luz dos conhecimentos desenvolvidos na faculdade, outras questões começaram a chamar atenção... mas tudo se perdeu, um pouco, com a passagem do tempo.

A produção seguiu assim: "estrangeira". Unheimlinch. Estranha-familiar-estranha.

Neste setembro de 2008, mês de aniversário do Blog do Fabulário, elas voltaram - por ironia ou não, eu fui chamado para fazer parte do grupo que viria a se tornar o Fabulário concomitantemente com o início da produção das máscaras. Na procura por uma "graça", um motivo para as fotos da comemoração, não restou dúvidas. As máscaras foram escolhidas.

E eu devo admitir que fiquei muito feliz em finalmente ver alguma utilidade para elas. Vê-las em funcionamento, como "prato principal". De fato, elas não foram feitas para ficar paradas.

Vieram a minha mente todos os comentários que ouvi a respeito (as críticas negativas, esnobamentos, detratações, as críticas positivas, surpreendimentos, elogios), todos os destinos a elas imaginados (lives, teatro, paredes, lixo) e senti algum reconhecimento prático, senti alguma eficácia associada, algum valor agregado a este trabalho.











Mais fotos deste dia (diferentes e legais), você encontra no Blog do Fabulário, com os depoimentos da turma:
Postagem de Aniversário - Fabulário Fanzine