sexta-feira, 6 de maio de 2016

Três anos atrás eu estava no labJogos

postado originalmente no facebook em 6 de maio de 2016

Três anos atrás eu estava no labJogos.

Foi uma oportunidade incrível de expôr nosso trabalho e conhecer o trabalho de outros tantos articuladores, guerrilheiros, da arte participativa nacional.

Eu pude conhecer pessoas maravilhosas cujos trabalhos e trajetórias eu só conhecia pela internet. Gente como o Eduardo Caetano, Rafael Rocha, John Bogéa, Newton Rocha Nitro... e conhecer tantas outras pessoas igualmente maravilhosas como o Jairo Borges Filho, Chico Lobo Leal, João Pedro Torres e tantos outros.

Alguns eu só fui conhecer melhor no ano seguinte (como o Manuel Gomes).

Foi também oportunidade de reencontrar o Encho Vinícius Chagas, com quem eu tinha trabalhado anos atrás em SP - e que um mês antes eu jamais poderia imaginar encontrá-lo nesse cenário.

E, claro, uma enorme felicidade ao encontrar o Goshai Daian e o Krishna Farnese - que já faziam larp naquela época e que possibilitaram a apartir dali infinitas trocas. Desses encontros surgiram coisas maravilhosas, entre as quais o grupo Larp Brasil aqui no face. Foi quando conheci também, em Belo Horizonte, o paulista Jonny Garcia. Naquela época, ele já tinha organizado um larp - mas foi uma experiência isolada. Lembro que ele devorou o Guia de Larp que eu escrevi para o NpLarp durante uma palestra e depois veio falar comigo, com a cabeça visivelmente "explodindo" :D

Na volta para São Paulo, nos aproximamos bastante e eu tive a oportunidade de trocar muita coisa com ele e estar junto dele na realização de muitas coisas maravilhosas - em especial o LabLarp, um grande marco do larp em São Paulo.

'Cabou que o Jonny se tornou um dos grandes autores brasileiros. Hoje, mora no Canadá, onde eu fico feliz também por tê-lo apresentado a Mo Jave - o que o levou ao grupo de Nordic Larp de Hamilton onde ele continuou jogando e produzindo! Ah, essa chama inestinguível! heheheh. O Jonny voltou para o 3° LabJogos em 2015 trazendo dois jogos inéditos, desenvolvidos no Canadá, mais maduros que os que ele fez por aqui em 2013. Tive a felicidade de jogar ambos :D

Nada disso seria possível, é claro, sem a parceria inesgotável, inabalável e incomparável do Luiz Prado que desconfiava da ida ao primeiro labJogos, mas que está sempre pronto para embarcar nas jornadas do larp comigo, mesmo correndo o risco de ser "mais uma presepada". Não foi. O laboratório "mudou nossa vida e o larp nacional", nas palavras dele mesmo :D

Gratidão infinita, absoluta... e a certeza de que, independente dos altos e baixos da jornada, seguiremos em frente. De cabeça erguida, de punhos cerrados, abrindo caminho e reunindo pessoas. Porque é disso que a nossa arte é feita: pessoas reunidas.

E eu celebro a felicidade de ter um parceiro para todas as horas nessa jornada incrível, alucinante e desgastante que tem sido levar o larp a todas as partes, todos os lugares, todas as pessoas.

Um abraço especial para todos que fizeram e fazem parte dessa história, em especial para o outro dos "Luizes" (como ficamos conhecidos dali em diante):

Desistir nunca, recuar jamais!


quarta-feira, 27 de abril de 2016

Apontamentos sobre a entrevista de Jonny Garcia para a Revista Mais Dados

Olá pessoal,

assisti o vídeo com animação e, depois de algum tempo, comecei a ponderar sobre alguns pontos abordados. Como a entrevista é destinada a uma publicação acadêmica, acredito poder contribuir com alguns detalhes para tornar essa publicação mais assertiva e relevante.

Na condição de amigo do entrevistado, de articulador e espectador de parte dos eventos e episódios narrados, faço algumas sugestões de adaptações e/ou correções de algumas informações, que acredito que possam ser apreciadas pelo entrevistado e o apresentador para melhor aproveitamento do espaço da revista :)

Entendo também que numa entrevista, no calor do improviso e do pensamento rápido, algumas coisas passem sem grande importância e outras recebem uma valoração ou "curadoria" às pressas, e à luz de um pensamento mais detido e pormenorizado, algumas pequenas questões possam ser melhoradas - em acuidade e assertividade - num discurso.

Alegrou-me muito a frase do Jonny, no adendo ao Silence, de que nada se constrói sozinho, que não somos uma ilha, e que é bastante importante referenciar os demais atores que fazem parte desses processos incríveis que trazem saberes e práticas maravilhosas à tona.

1 - Luiz Prado e Luiz Falcão - Confraria das Ideias
O Jonny comenta que tomou contato com a Confraria das Ideias num LabJogos, em 2013. Não é de todo incorreto. Mas apesar de eu e o Luiz Prado fazermos parte também da Confraria das Ideias, estávamos no evento representando o NpLarp, nas palestras, e o Boi Voador, nas práticas.

Essa confusão entre atuadores e grupos é comum, dado que Luiz Falcão e Luiz Prado fazem parte de um monte de grupos e iniciativas, mas é produtivo relembrarmos essas diferenciações. (A mesma confusão acontece no livro de edularps da Narrativa da Imaginação, para a qual eu ainda estou devendo o apontamento).
sugestões:o texto poderia ser adaptado para "tomei contato com os larps da Confraria das Ideias e do Boi Voador a partir das palestras de e conversas com Luiz Prado e Luiz Falcão, do NpLarp, que também fazem parte dos referidos grupos"
ou mesmo uma nota de rodapé explicando essa relação. Eu posso ajudar a compô-la, se for o caso.

2 - "Eu e Luiz Falcão fundamos o LabLarp"
Eu sempre acrescento o Luiz Prado nessa "fundação" também. Primeiro porque ele estava junto no "ato de fundação", rs, documentado com fotografia e tudo mais :D Também porque a participação dele foi bastante importante na definição do formato do LabLarp - antes (quando ele era só um rascunho num caderno) e depois do Jonny efetivamente protagonizá-lo.

Depois, porque apesar de ele estar um pouco ausente nos 2 primeiros encontros, ele esteve bastante presente e participativo nos demais. Levando alguns jogos próprios e sendo também bastante responsável pela articulação do público.

Um dos objetivos do LabLarp era, certamente e entre muitos outros, o de formar um produtor, autor e articulador de larp - que era o Jonny. Então eu e o Prado não buscávamos protagonismo no labLarp, queríamos dar espaço ao Jonny. Nós já tínhamos nossos espaços de criação, experimentação e realização de larp. Estávamos no projeto nessa perspectiva, também (entre outras coisas), pois já tínhamos bastante experiência organizando, criando e conduzindo larps. É muito gratificante para a gente ver que esse objetivo, como tantos outros, foi alcançado!

Mas não precisamos confundir "deixar o amigo protagonizar" com "não fazer parte" e eu acho justíssimo incluir o Prado na lista de "fundadores" e organizadores do LabLarp, embora ele tenha executado papéis diferentes de mim ou do Jonny. :)

17 de julho 2013. Da esquerda para a direita: Mariana (minha companheira), Luiz Prado, Jonny, eu e Juliana Andrada (fotógrafa do lablarp em várias das edições e uma das Staff do larp Cegos)

3 - "Artigo questiona que o limite"
Reli o artigo e bem.... ele não questiona o limite, rs

Se bem me lembro, o que questionou o limite foi a repercussão do artigo. Talvez seja legal esclarecer isso também. (Uma das principais discussões acerca disso foi protagonizada pela amiga Viviane L. Costa que não participou do jogo, mas tomou contato com ele por meio da resenha). A citação aí é apenas um exemplo, a resenha provocou reboliço onde ela foi compartilhada, sendo grande responsável pela difusão do case do CEGOS ( que teve apenas 5 jogadores, mas conseguiu atingir muito mais gente graças a essa articulação da cena ;) e vai atingir ainda mais agora, com a entrevista :D )

3.1 - "o jogador que escreveu [o artigo] é jornalista... ficou um artigo bem intenso"
Entendo que haja um sentido em preservar as identidades dos jogadores durante o relato, mas no caso do artigo, o jogador está de partida já identificado. O Jogador em questão é o Luiz Prado - e atribuir o fato dele ser jornalista a qualidade do artigo é quase engraçado. (nada contra os jornalistas, hehehe) Luiz Prado fala com profundidade ímpar no artigo porque ele é um jogador de longa data, um pesquisador e um produtor, escritor e criador de larps. Não apenas um, mas certamento o mais ativo do Brasil. Jonny fala que participou de mais de 50 larps nórdicos no Canadá - e destaca a importância dessa participação na sua formação. Bom, o Prado esteve a frente, entre escrever e organizar certamente bem mais de 50 larps, seja trabalhando para a Confraria das Ideias, o Boi Voador, NpLarp, LabLarp ou em sua trajetória autoral (sua "cerreira solo", rs). Além disso, foi jogador regular - e continua sendo - por 3 anos antes de dar o ar da graça na escritura de seus próprios larps. Nessa trajetória de dedicação intensa ao larp, ele aplicou larps de sua autoria ou da autoria de outros, orientou autores e articuladores, dedicou-se a pesquisa teórica e prática da linguagem de diversas formas....

Não é a formação em jornalismo que dá mérito ao texto. É o envolvimento específico daquele jogador na cena e na linguagem do larp.

Se não há necessidade de preservar sua identidade, pois ela está declarada no artigo, não há necessidade de não fazer a correta atribuição de mérito ao autor/artigo. Ele ser jornalista não tem nada a ver com isso. (Nem sequer se trata de um texto jornalístico).

A resenha pode ser acessada aqui:
http://www.nplarp.com.br/2013/11/resenha-larp-cegos.html

4. "Na suécia Break and Cut não existem"
Opa...! Entendo que seu amigo sueco pode ter dito isso, mas acho que corremos um risco de sermos bastante imprecisos se publicarmos isso em uma revista científica sem a devida consideração.

Se não me engano, foi entre jogadores suecos que o Wagner Luiz Schmit ouviu que o larp Café Amargo, de Luiz Prado, deveria vir com regras de safewords (e não a preocupação ali nem era contato físico!). Foi na Suécia, certamente. O larp Sueco Just a Litte Lovin', apenas para citar um exemplo, faz uso das safewords. Talvez na comunidade do seu amigo, ou na época que ele jogava, não houvesse essa preocupação. Mas na Suécia há. Vale apenas esclarecer nesse sentido, para não passarmos uma ideia equivocada a partir de uma generalização.

- - -

Eu gostei muito da entrevista, principalmente do recorte entre o CEGOS e o Silence. Ganha-se muito focando casos específicos ao invés de tentar dar conta de toda a produção ou trajetória do sujeito (que no caso do Jonny, é também riquíssima).

Pessoalmente, eu acho muito legal aquilo que o Jonny disse no final, de não sermos uma ilha, e senti falta de falar um pouquinho mais do começo dele com o larp, (não somente o vampire larp com o grupo de circo), pra inspirar outras pessoas a começarem também. Ninguém começa sozinho, como um lobo solitário, rs. E às vezes, vendo de fora, dá essa impressão. Revelar essas interlocuções ajuda as pessoas a entenderem que elas também podem se engajar, produzir, assumir seus papéis - e que não estarão sozinhas. Mas é claro que o tempo também não permitiria um grande aprofundamento. Acabou mais aprofundado o processo mais recente, e isso é muito bom também. Silence é um jogo empolgante :D

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Wolves Don't Warn Twice

Wolves Don't Warn Twice,
comics for Fabulário International Issue #1, 2008
(Festa Literária Internacional de Paraty)

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Jogos e cultura, o preconceito persiste?

O texto a seguir foi produzido como parte das avaliações do curso A Complexidade do Sensível: um paralelo entre vídeo games e arte (Coursera - Unicamp, ministrado por Julia Stateri, Doutoranda, e Edson do Prado Pfutzenreuter, Prof. Dr., ambos do Instituto de Artes - Departamento de Artes Visuais). Está publicado neste blog com a data original, mas foi aqui acrescentado no dia 19 de maio de 2017.

Resolvi publicá-lo porque ele condensa parte de minha pesquisa a respeito das relações entre artes, jogos, RPG e larp, que ainda carecem de publicações referenciáveis - estando até hoje pulverizadas em discussões pela internet, anotações e palestras cujos registros foram perdidos.



A questão que ele responde é a seguinte

Com base nos conteúdos apresentados [referenciado na resposta], tanto na videoaula, quanto no texto do professor Roger Tavares, vocês acreditam que a resistência dos jogos serem vistos como parte da cultura ainda persiste? Por quais razões?

Sim, persiste.

Para mim, a razão mais forte é a apontada pelo professor Roger Tavares no artigo "Mi-mi-mi meus jogos não são cultura, eu não sou culto": os criadores, produtores, assim como os jogadores, não os identificam como cultura.

Não faltam argumentos teóricos que justifiquem o ponto de vista, mas enquanto público e produtores não se identificarem com o tema, não haverá ampla aceitação. Parte dessa recusa ou desinteresse dos envolvidos com jogos reconhecerem seu próprio lugar na cultura está relacionado com a velha polarização alta cultura X baixa cultura, popular x erudito. A identificação da palavra "cultura" como meramente um status, uma "tag" de elitização.

Parece faltar, primeiro, a estes agentes (produtores e jogadores) compreensão de que os jogos se tratam de peças culturais.

Parece haver também certo saudosismo, senão instinto de preservação nesse meio. Ao identificar os jogos como "apenas entretenimento" e repudiar o "status" de bem cultural, esses agentes parecem também querer manter longe dessa mídia determinados aspectos, temas e assuntos.

Sobre este tópico eu gosto sempre de citar Scott McCloud. Em sua trilogia teórica sobre quadrinhos -  em formato de quadrinhos! - ele nos conta uma anedota envolvendo o quadrinista Will Eisner. Segundo McCloud, Eisner defendia que os quadrinhos eram uma forma de arte. Certa vez, um colega de profissão se enfureceu com ele: somos vaudevilistas, não artistas!


Também David Cage, diretor dos games Indigo Prophecy, Heavy Rain e Beyon: Two Souls, da francesa Quantic Dreams apontou o mesmo problema, dessa vez especificamente sobre os jogos eletrônicos. No manifesto "A Síndrome de Peter Pan: A indústria que se recusa a crescer" (em inglês) ele problematiza a questão das temáticas e abordagens lançando desafios como "fazer jogos sem armas", "trocar a lógica dos desafios pela da jornada" e abordar temas com a mesma seriedade que séries e filmes o fazem.

A questão da "seriedade" e da identificação da linguagem com o público infantil não é novidade. Johan Huizinga já a aborda em Homo Ludens, de 1938, que os jogos são considerados "não-sérios", o que segundo ele seria um grande equívoco. (O jogo, para Huizinga, não se opõe a seriedade). A cultura, para o pensamento geral, seria uma coisa "séria, de adultos", enquanto o jogo seria "não-sério, de crianças". Este trabalho do autor é praticamente todo dedicado a desconstrução desse mito.

Na história da crítica de jogos, Huizinga é seguido por Roger Caillois , com Os Homens e os Jogos, de 1957. Mas na prática, os escritos dessa linha parecem interessar muito menos aos envolvidos em games - produtores e jogadores - do que o estudo focado especificamente em Game Design, com ares pesadamente mais industriais. Corrente esta que podemos ilustrar com a publicação Rules of Play, de Katie Salen Tekinbaş e Eric Zimmerman, mas que possui inúmeros outros representantes. Essa bibliografia, muito mais funcionalista, frequentemente se foca nas etapas de criação de um jogo e assume critérios de avaliação e legitimidade relacionados ao sucesso comercial desses produtos, deixando muitas vezes suas capacidades expressivas, quando muito, em segundo plano. (Aqui vale dizer e é curioso observar que Eric Zimmerman, mesmo sendo um dos principais representantes dessa linha teórica é hoje um dos produtores de games com maior visibilidade a se lançarem a experimentação da interface entre games e arte).

Apesar da resistência, o caminho para esse reconhecimento parece estar sendo bem pavimentado, seja por teóricos, seja pelos próprios produtores - ainda em sua maioria os produtores independentes. É provável que os jogos encontrem trajetória parecida com a dos quadrinhos: esse reconhecimento veio embasado pelas obras disponíveis na prateleiras, como pode-se observar hoje em qualquer livraria do Brasil e nos catálogos até mesmo das grandes editoras. A produção mudou. Antes eles eram associados apenas ao público infantil e as histórias de super-heróis, hoje é possível encontrar uma grande variedade de obras maduras, para os mais diversos públicos, que nada devem a grandes clássicos da literatura - alguns sendo inclusive eles mesmos considerados grandes clássicos da literatura. É o caso de Maus, de Art Spiegelman, que foi premiado com o pulitzer.

Na medida em que a produção de jogos avança para novos territórios, abre-se caminhos sobre eles. O reconhecimento dos jogos, eletrônicos ou não, como uma forma de cultura - e porque não, de arte - me parece necessariamente ligado ao amadurecimento de suas temáticas e abordagens, o que já está em curso, com excelentes representantes, e passa pela aceitação de produtores e público de que esses temas são bem vindos.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

7 elefantes, vídeo completo + artigo



Está fazendo 6 anos que eu apresentei meu TCC para o curso de Artes Visuais no Unicentro Belas Artes de São Paulo, sob orientação do professor Luciano Mariussi.

O vídeo nunca tinha sido compartilhado na íntegra na internet - e esse mês fui mostrar para alguém e decidi caçar o arquivo e finalmente disponibilizá-lo para a geral.

Aí está, 7:44 de delírio visual e montagem vertical naif...

Espero que agrade a quem ainda não conhecia e que traga boas recordações a quem já tinha passado os olhos por ele.

PS: os vídeos foram criados para monitor CRT, onde deveriam ficar instalados em loop.

PS2: Participaram da banca examinadora os artistas e professores Augusto Sampaio e Neide Jallageas

PS3: Vou ver se acho o trabalho escrito também, para compartilhar junto. Aqui está o link para o trabalho escrito. [atualizado 09/12/2015] Todos os devidos agradecimentos estão ali registrados. Me perdoem por não marcar aqui todos os envolvidos co-responsáveis pela realização desse trabalho

(originalmente compartilhado no facebook em 26 de novembro às 15:35 )


quinta-feira, 16 de julho de 2015

Álcool, de Luiz Prado, no Ciclo de Iniciação do Larp


Tá vendo esse cartaz lindão, aqui?


Ele é pra divulgar o segundo encontro do Ciclo de iniciação ao larp, no SESC Ipiranga.

Nessa programação trazida pelo bróder Luiz Ricas, as atividades serão mediadas pelo larpwriter mais querido do coração, Luiz Prado, que é também o autor de todos os jogos do Ciclo.

E vocês acham que eu tou indicando só porque todos os envolvidos são meus amigos e chamam Luiz.... Não!

Álcool é uma das experiências mais fascinantes que eu já tive em um larp. Nunca vou esquecer da cena final da segunda vez que joguei com o parceiro querido Danilo Kobold, no labJogos 2014, em Belo Horizonte. Tem uma mecânica potente e versátil, lida com o poder da forma mais madura dentro do que chamo de "trilogia do coração" (Ouça no Volume Máximo, Café Amargo e Álcool) - que é uma trilogia sobre poder e afeto, e é um exemplar pra ninguém botar defeito de um larp com linguagem épica-brechtiana.

Foi publicado pelo primeira vez numa revista científica, a Mais Dados #1 - e até agora não foi realizado em São Paulo.

- O Ciclo de Iniciação ao Larp é uma atividade realizada pelo NpLarp - Núcleo de Pesquisa em Larp, a convite da ONG Confraria Das Ideias.

O encontro é gratuito e acontece nesta sexta das 19 às 22 horas, no Sesc Ipiranga, que fica na Rua Bom Pastor, 822.

Confira abaixo as próximas datas e larps do Ciclo:

17/7 – Álcool
24/7 – Três homens de terno
31/7 – Monstros

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Uma bibliografia sore Larp e Teatro

Dia 20 de maio, o Daniel Prado Cosenza, um dos atuais organizadores do Graal-MG, me procurou para conversarmos sobre larp.

Daniel Prado Consenza
Ele está quase concluindo o curso de comunicação (jornalismo) e decidiu fazer sua monografia sobre larp, segundo ele, porque identificou que a bibliografia em português não é muito extensa. (O que é verdade!)

Daniel planejava fazer uma análise do larp tomando como base as maiores teorias do teatro, mas seu orientador admitiu que não sabe muito sobre o tema e me recomendou falar com gente que tem mais contato com o larp. A ideia dele é partir de um grande nome do teatro (como Stanislavski, por exemplo) e analisar comparativamente 3 larps ao redor do mundo (a princípio também, Underworld LARP, os "larps europeus" e os larps do Graal RJ).

Pensando nesses pontos, eu elaborei uma pequena bibliografia, com meus comentários, que poderia ajudá-lo. Achei que outras pessoas poderiam achá-la útil também e pedi autorização para o Daniel para publicá-la por aqui.

Abaixo, o email que envivei a ele, na íntegra (com um pouquinho de tempero multimídia adicionado): 
Olá, Daniel

vou tentar fazer um apanhado do que acho mais relevante :)

Guia de Larp
esse foi um livreto que escrevi em 2011 (com ampliação em 2013)
representa o resultado inicial da pesquisa do NpLarp. De 2013 para cá, muita coisa aconteceu e o NpLarp conheceu muita coisa que estava na obscuridade.... então ele está um pouquinho desatualizado, mas não muito :)
Ainda é uma boa "porta de entrada", com muitos links e indicações de caminhos;
http://nplarp.blogspot.com.br/p/guia.html 

Larp Brasil - Jogos (larpscripts) em português
Um esforço para reunir alguns larpscripts (manuais para realizar larps) em português no mesmo lugar. Ainda é um beta, mas tem material interessante;
http://larpbrasil.blogspot.com.br/

Além de algumas ausências ocasionais, três autores ficaram de fora deliberadamente, por terem seus próprios blogs:
- Luiz Prado: https://luizprado.wordpress.com/ (meus destaques vão para para os jogos Café Amargo, Ouça no Volume Máximo e Álcool)
- Jonny Garcia: https://jonnyggarcia.wordpress.com/my-games-meus-jogos/
- Tiago Braga: http://partoproduc.blogspot.com.br/p/meus-jogos.html

Novos Sabores no larp Brasileiro
Esse artigo tenta contar um pouco a história do larp no Brasil e atualizar as coisas em relação ao Guia de Larp (ele vai até início de 2014);
Foi originalmente publicado em inglês na coletânea The Cutting Edge of Nordic Larp ( http://nordiclarp.org/w/images/e/e8/2014_The_Cutting_Edge_of_Nordic_Larp.pdf )
Em português: https://www.academia.edu/73768848/Novos_Sabores_do_Larp_Brasileiro_Da_coca_cola_à_caipirinha_com_gelo_nórdico 

Como o LabJogos Mudou a Minha Vida e o Cenário do Larp Nacional - fala de Luiz Prado
Em apenas 11 minutos, Luiz Prado atualiza o cenário do larp de 2013 para 2014, tendo como ponto de partida o Evento LabJogos (de 2013) e de chegada a edição do ano seguinte (2014).
https://www.youtube.com/watch?v=J0BuoDvcpso
Larp e Teatro - Uma Relação com a teoria de Peter Zond
Essa é uma discussão que estou tentando puxar desde 2010- 2011. Ela se baseia no livro "Teoria do Drama Moderno", de Péter Szondi,  para voltar a Aristóteles (e Hegel) e procurar entender as diferenças entre rpg e larp a partir de um ponto de vista comum a teoria do teatro.
http://luizfalcao.blogspot.com.br/2014/06/larp-e-rpg-de-mesa-onde-acaba-um-e.html

Larp e Teatro - Rolando Arte, ensaio de TCC do Renato Alves (Artes Cênicas na Unicamp)
Nesse texto, Renato Alves procura extrair alguns conceitos relacionados ao larp, a partir da leitura de textos canônicos do Larp Nórdico (presentes em alguns livros da conferência internacional Knutpunkt) - e relacioná-los com possíveis práticas no palco, no teatro contemporâneo. Aqui, Alves arrisca estabelecer algum paralelo com as pesquisas de Tadeus Kantor.
https://sobrelarp.blogspot.com/2010/12/rolando-arte-um-estudo-sobre-relacao.html

Larp e Teatro - Quando os dados (não) rolam - Dissertação de Mestrado de André Sarturi
Mestrado do André Sarturi (que hoje está fazendo doutorado em dança) no qual ele desenvolve e analisa profundamente uma série de experiências com larp. O material é valiosíssimo... único pesar é que, àquela época, Sarturi não tinha tido contato com um referencial teórico específico do larp... Mesmo assim, é um material ótimo. Aqui, ele traça comparativos entre o larp e o Drama Processo.
http://pesquisarpg.blogspot.com.br/2014/02/mestrado-rpg-quando-os-dados-nao-rolam.html

Larp e Teatro - Vigotsky
Não tenho um link propriamente, mas um indicativo de pesquisa. O pesquisador Wagner Luiz Schmit trabalha com larp e educação, mas sua linha de pesquisa é a psicologia. Seu principal referencial teórico é Vigotsky - um pensador russo que dedicou grande parte de seus escritos ao teatro (e aqui talvez haja um vínculo interessante com Stanislavski)
Outro vínculo possível com Stanislavski é Tchekov e, daí, o próprio Szondi (cuja teoria eu abordo superficialmente no texto sobre Épico x Dramático) pode ser uma boa ponte para relacionar a linguagem do larp a teoria teatral - especialmente abrangendo dentro do larp experiências como o Jeepform, larps Black Box nórdicos e larps como o brasileiro O Jogo do Bicho que abrem mão da ilusão do Drama para lançar mão de recursos do Épico - em comparação possível com o teatro de Brecht e Piscator. ((((isso quem está dizendo sou eu, que estudei teatro e larp... nunca vi bibliografia específica sobre isso. brisa minha)))

Em Áudio - Entrevista / Pate-papo do NpLarp com o Panzercast
Eu e o colega Luiz Prado - parceiro de inúmeros projetos - falamos do larp no Brasil e no Mundo, a cena nos países nórdicos, as características da linguagem e nosso trabalho nos grupos Boi Voador e NpLarp (e mais algumas coisas)!
http://pzcast.blogspot.com.br/2014/12/ep-023-larp.html
Larp Americano como Metáfora Nacional - Não me toque ou eu te processo (em inglês)
Artigo da jornalista americana (especializada em larp) Lizzie Stark, onde ela analisa e compara o Larp Americano e o Nórdico. Fundamental.
http://leavingmundania.com/2013/03/11/dont-touch-or-ill-sue-american-larp-as-national-metaphor/

As Regras Invisíveis do Roleplaying
Artigo do Marcus Montola (um dos principais pesquisadores de larp do mundo) em sua versão em português; Acho ele fundamental :)
https://drive.google.com/file/d/1JQSpju3TvIn7G-anK7EQkjsFWbzA8kXJ/view?usp=sharing

A Pedra Fundamental do Larp Nórdico (em inglês)
Reunião dos artigos "fundamentais" publicados de 2001-2013 na conferência internacional Knutpunkt,a mais relevante conferência sobre larp do mundo.
Muita coisa bacana aqui. (Confesso que eu mesmo não li muitos deles... fica difícil indicar leituras assim, mas uma olhada pelo livro pode fazer despertar sua própria curiosidade sobre os temas que você tiver maior afinidade)
http://nordiclarp.org/w/images/8/80/2014_The_Foundation_Stone_of_Nordic_Larp.pdf

Dogma 99
É de 1999, mas imortal. Os Clássicos nunca morrem :) - Falamos sobre ele no Panzercast, por exemplo.
http://fate.laiv.org/dogme99/en/
(estamos para lançar uma edição em português com comentários. O Luiz Prado fez uma fala sensacional a respeito esse ano no LabJogos, o vídeo também está para ser publicado foi publicado esse mês em https://www.youtube.com/watch?v=5uYBAAHShxs )
Se lembrar de mais coisa te mando.
Se você quiser dizer o que o interessou mais - e o que não lhe interessou nem um pouco - eu vou curtir saber também :)

vamos conversando!
abração!