segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Regime de dedicação exclusiva


Em 2003, ingressei como estudante do ensino médio no Centro Federal de Ensino Tecnológico de São Paulo, o então CEFET-SP, hoje Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo, IFSP. Fui aluno do Professor Raul Puschel em 2003 e novamente em 2005.

Em ambas as ocasiões, não tive com ele aulas de língua portuguesa ou literatura, das quais meu irmão, formado pelo mesmo CEFET em 2002, já havia me falado inúmeras vezes. Em 2003, quando eu e meus colegas de classe ingressamos na Federal havia uma disciplina especial na grade chamada Projeto. Professores da casa elaboravam projetos sobre os mais diversos temas, resultando em cerca de cinco propostas entre as quais os alunos deviam escolher. No 1º. Ano as opções eram “água e lixo”, “corpo, comportamento e sexualidade”, “xadrez” e as aulas de projeto ministradas pelo professor Raul e pela professora Cleusa, “Formação de repertório e leituras da contemporaneidade”. Ingressei neste último. Consistiam, os projetos, em um dia na semana onde todas as aulas (quatro períodos de 45 minutos, se não me falha a memória) eram ministradas pela dupla de professores.

Um acidente grave afastou a professora Cleusa por muitos meses naquele ano, de modo que tivemos pouco mais de um bimestre de aulas com ela. E então o professor Raul Puschel conduziu as aulas, que eram programadas para dois formadores, sozinho. “Formação de repertório” era um curso robusto, com uma grande quantidade de leituras dos mais diversos temas da contemporaneidade e através do curso eu tive meu primeiro contato com uma série de grandes autores e pensadores com os quais lido até hoje. Mais que isso, além das propostas de leitura, evidentemente, haviam propostas de redação, resenha, análise, criação de texto literário e os mais diversos trabalhos propostos para se realizar sozinho ou em grupo.

Em toda a extensão do curso, o professor Raul Puschel deu-nos toda atenção, nos conhecia não apenas pelo nome, como pelos gostos pessoais, inclinações ideológicas e estéticas, trejeitos estilísticos. Avaliava sozinho toda a extensa produção de uma sala de cerca de 40 alunos (duas salas, pois o projeto existia de tarde também), sempre escrevendo-nos devolutivas, indicando outros textos e fontes. Acompanhava e incentivava nosso desenvolvimento com ânimo, sensibilidade e extrema generosidade, dando atenção às características particulares e interesses pessoais de cada aluno.

Essas características fizeram com que nossa turma do primeiro ano de afeiçoasse muito a ele. E, no terceiro ano do Ensino Médio, em 2005, quando eu e meus colegas soubemos que ele havia elaborado um novo projeto, agora para nosso terceiro ano, intitulado “Leituras fundamentais dos últimos 250 anos da Literatura Universal”, nos inscrevemos em massa. Muitos alunos de nosso primeiro ano estavam nesta nova turma e também muitos outros alunos do CEFET que já haviam se interessado pelas aulas e atividades ministradas pelo professor Raul.

Em 2005, o professor Raul Puschel deu as aulas ao lado do professor Gaspar (do qual não me recordo o sobrenome). Entre as leituras que realizamos estavam Germinal de Zolá, Macunaíma de Mário de Andrade, Madame Bovary de Flaubert, O Pai Goriot de Balzac, Crime e Castigo de Dostoievsky, As Viagens de Guliver de Swift, Metamorfose de Kafka, Fausto de Ghoete e ainda outros. Um volume de leituras ainda maior que o proposto no primeiro ano. O professor Raul, que já conhecia todos os textos, assim como o professor Gaspar, fazia questão de relê-los para acompanhar a turma. Ao decorrer das aulas, leituras de textos complementares, análises e críticas, discussões, atividades, exibições de filmes e também muita produção por parte dos alunos: textos críticos, analíticos e literários, além de seminários e apresentações. Raul e Gaspar, igualmente generosos e atenciosos mantiveram o espírito das aulas do primeiro ano, com devolutivas e acompanhamento individualizados e grande interesse pelo desenvolvimento da turma e grande capacidade de nos motivar a prosseguir seriamente com o curso e as leituras, mesmo num ano de “véspera de vestibular”. Entendiam a formação de uma maneira abrangente e dedicavam-se a isso com reverenciável cuidado.

Em ambos os cursos, mantivemos ao longo da trajetória uma pasta com todas as nossas atividades. Ainda as guardo na casa de meus pais, embora possam estar hoje desfalcadas, devido às inúmeras vezes em que recorri a elas como consulta – seja para aulas que eu dei, porque o professor Raul Puschel foi desde então, para mim um exemplo de pedagogia, companheirismo e dedicação no lido com o saber, seja para a continuação de minhas pesquisas acadêmicas, profissionais e pessoais.

Hoje sou artista plástico, designer gráfico, cenógrafo e assistente de direção teatral e grande parte dos temas que ainda trabalho, seja no meu trabalho autoral ou não, parte de conteúdos que me foram trazidos pelo professor Raul Puschel e pela relação que fui capaz de estabelecer com esses conteúdos graças a sua dedicação, acompanhamento e companheirismo.

Ao longo dos anos, todas as pessoas que conheci que também estudaram com ele, antes ou depois de mim, - pessoas hoje relacionadas ao estudo da história, artes visuais, vídeo, letras, jornalismo, química(!), física(!), música, informática(!) – guardam pelo professor Raul Puschel e por suas aulas o mesmo carinho, reverência e uma amena e saudável veneração que eu e meus colegas de turma guardamos até hoje.

Quando soube do processo administrativo pelo qual o professor Raul Puschel passa junto ao Instituto resolvi compartilhar minhas impressões sobre sua dedicação.


Luiz Falcão

domingo, 3 de julho de 2011

Logotipo Boi Voador

Mais um projeto pela frente... mais um grupo de trabalho..... mais um logo para elaborar. Boi Voador é um grupo de LARP, live action roleplaying que sai de dentro da Confraria das Ideias e começa a atuar em 2011.

O logo foi criado em janeiro de 2011, enquanto elaborávamos o projeto para enviar ao programa VAI, da Secretaria do Estado de São Paulo. Em maio, fomos contemplados!

O nome vem da música do Chico Buarque e o adotamos depois de ouvir repetidas vezes que nào podia, que não ia dar certo, que não funciona... fazer o que a gente queria fazer. Boi Voa. Mas eu achava boi um bicho sem graça, topei a foto de um bisão e comecei a trabalhar.
cutout em cima de uma foto, carta-aqui-puxa-ali e pintura digital.
O comentário foi geral: isso não é um boi. Pra fugir da logomarca de churrascaria, fiz uma pesquisa dessa vez. Boi. Boi voador. Flying Ox. Flying Cow. Essas coisas.



Picasso, criaturas fantásticas aladas, minotauros (mais picasso)... a partir daqui já era possível fazer muitas tentativas.... cair no óbvio de fazer algo folclórico podia levar o entendimento do projeto para outro lugar. Tinha a economia do traço e do gesto (a abstração do touro de picasso), tinha a ideia meio redbull do touro como signo da força e da potência que também casava com muita coisa do picasso, das touradas aos minotauros. Nas minhas experiências, atirei para quase todos os lados e investi em algumas linhas.

desenho a mão; no computador (direto no mouse);
e o restante com pintura digital (clique na imagem para ampliar)
Gostei da pintura digital e também dos efeitos que eu fiz sobre ela quando já não gostava. Mas ficou meio redbull, meio marca esportiva. Meus companheiros de projeto não gostaram. Fiz uns rascunhos tentando juntar as melhores características de ambas.

E fiz mais alguns rascunhos, com base em outras referências e ideias. (muito picasso. sim. e pensando agora, faltou ver as touradas do goya! que falta a minha!). Olhando daqui, hoje eu escolheria a do meio, superior.


Do encontro com Picasso, tranformei meu dilema anterior no seguinte:

desenho a mouse; pintura digital
um pra lá, dois pra cá.
Ainda não era isso. Muito RPG, muito desenhado. Precisava ser uma coisa mais cerebral.
Pausa para ver outras ideias do meu caderno "de viagem" e em seguida, apresentarei a solução adotada, escolhida em conjunto com o restante da equipe.



Ok. Talvez tenha sido a partir desses desenhos de cima que eu cheguei no resultado final que a gente pode conferir logo abaixo, ou no site do grupo de larp Boi Voador.


Fim. O boi voador foi contemplado pelo projeto de pesquisa em live action roleplay, o NpLarp. Além da tradução de artigos estrangeiros sobre a linguagem do larp, o grupo se concentrará na criação de lives experimentais e organização de workshops. E não para por aí, nossa pretensão é um verdadeiro núcleo de pesquisa, um laboratório. Nesses 6 meses restantes de projeto... bom. nada de promessas. Vamos ao trabalho e o que vier, virá!

Confira os Blogs do projeto, faça parte mandando e-mails e comentários nos blogs!

Fim da transmissão.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Satisfações


a fronteira da alvorada (la frontière de l'aube, 2008).
dir. philippe garrel.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Função eval() - Variáveis Variáveis em Javascript

Já deve ser a terceira vez que eu preciso fazer uma variável variável em Javascript e que eu perco MUITO tempo em sites de buscas tentando relembrar como faz. Por isso, vou postar a solução aqui, quem sabe ajuda mais alguém além de mim mesmo!

Geralmente eu uso variáveis variáveis dentro de um loop for, como que para "linkar" dois loops... enfim... vamos ao exemplo:



  1. function bloCollapse(){
  2. //identificar a raiz do hotsite que o sujeito está... 
  3. //independente da terminação da página.... 
  4. //(limpar as bugigangas em outras palavras
  5. var barra = document.URL.lastIndexOf('/');
  6. var urlHsHome = document.URL.substr(0,barra);
  7. //array de elementos com a TAG Span
  8. itemCollapse = document.getElementById('blocollapse').getElementsByTagName('span');
  9. //loop for
  10. for(i=0;i<itemCollapse.length;i++) {
  11. //uso do loop, convencional (exceto pelo innerHTML, talvez)
  12. itemCollapse[i].innerHTML = "<a href='"+urlHsHome+"/venhatreinar#"+itemCollapse[i].parentNode.getElementsByTagName('h3')[0].innerHTML+">+info</a>";
  13.     // aqui o grande truque!!!!
  14.     // o eval deve pegar a linha toda, em ASPAS
  15.     // fora das aspas, apenas o índice da variável variável!
  16.     // destacado em cores para ficar bem claro
  17.     eval("teste"+i +" = itemCollapse[i].parentNode.getElementsByTagName('h3')[0].innerHTML;")
  18.     // assim você gera uma série de variáveis do tipo teste0, teste1, teste2... e o resto é resto
  19.     alert(eval('teste' + i));
  20. }
  21. }
  22. bloCollapse();



(uff... o blogger é péssimo para isso)

Na verdade, eu sou um leigo completo em Javascript, talvez eu esteja chamando isso de variável variável injustamente.... neste caso, assim que eu esclarecer a confusão, venho aqui e corrijo!

A quem puder me judar, agradeço. Fica o memo.